Comunidades arrasadas por temporal na Bahia sofrem com falta de gás e água para beber




Uma estrada sinuosa que corta vales e margeia montanhas liga Jucuruçu, cidade de 10,3 mil habitantes do extremo sul da Bahia, à BR-101 principal corredor rodoviário da região. Mas deslizamentos que fizeram a terra tombar sobre a pista e as enchentes que atingiram a região na última semana deixaram a cidade totalmente isolada por três dias. Carros e caminhões com mantimentos, água e combustíveis não conseguiam superar as barreiras que ficaram nas rodovias. Com a reabertura dos acessos, Jucuruçu tenta recuperar os estragos e tentar voltar à normalidade. Mas não será uma tarefa fácil: as partes mais baixas da cidade, nas margens do rio do Prado, foram devastadas pela chuva e ainda estão cobertas de lama. O comércio voltou a abrir, mas é raro achar um estabelecimento que tenha em seu estoque garrafas de água mineral. A população mais atingida depende de doações de galões de água para ter o que beber. Os estragos foram maiores no bairro da Baixada, região da periferia da cidade que fica nas margens do rio. Ali, a água superou o nível das janelas das casas, danificando estruturas e gerando perdas para as famílias. Foi justamente nessa região que foram registradas cenas de moradores fazendo uma espécie de cordão humano para enfrentar a correnteza e onde pessoas improvisaram um colchão como bote para chegar às áreas mais seguras da cidade. A área de convivência do bairro, formada por uma praça e um pequeno galpão para eventos foi inteiramente tomada pela enchente. No centro da praça, uma árvore de natal montada para os festejos natalinos resistiu à força da água, mas permanecia envolta de lama. Moradora do bairro, Célia dos Santos da Silva, 55, teve a sua casa tomada pela água e perdeu a geladeira, o tanquinho e um armário pelo qual pagou cerca de R$ 2.000 e havia sido comprado há apenas três meses. Parte do muro de sua casa desabou logo no início da enchente.

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